Maio 2007


Ed. distancia20 Mai 2007 09:57 pm

Esta V Conferência Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação decorreu nos dias 17 e 18 de Maio e considero-a (globalmente) positiva.

Challenges2007

 Houve um agrupar das comunicações e dos paineis em três temas aglutinadores: O digital e o currículo, ambientes emergentes e avaliação on-line. Este agrupar é positivo, mas ainda assim fica impossível evitar a sobreposição de temas potencialmente concorrentes ficando à responsabilidade de cada um, o “tiro” (quase) no escuro, da escolha da melhor comunicação. Obviamente que muitas vezes esse tiro sai pela culatra. Este problema seria minorizado se as comunicações (e os respectivos moderadores) cumprissem os tempos previstos. Para quem (como eu) pretendia assistir a 3 ou 4 comunicações em auditórios diferentes, tinha que esperar quase a intervenção sobrenatural para que os tempos e a ordem das comunicações não fosse alterada.

Em relação ao conteúdo, para mim, existem três momentos que me merecem especial destaque:

1- A conferência plenária de Marco Silva;
2- O painel “O digital e o Currículo”, especificamente a intervenção do professor Fernanado Albuquerque Costa, da Universidade de Lisboa;
3- A comunicação do Roberto Gorjão “Tech-x-pert: uma plataforma dedicada à tecnologia educativa”

 O Marco Silva trouxe a interactividade e os seus os fundamentos (explícitos na arte do parangolé) como um desafio comunicacional da cibercultura, nomeadamente:

  •  Participação, sabendo que “participar é intervir na mensagem”;
  •  Bidireccionalidade, já que os pólos emissor-receptor devem estar igualmente implicados na codificação/descodificação da informação;
  • Mutação, já que não é proposta uma mensagem fechada, mas oferece ao receptor um conjunto de conexões que lhe permitem múltiplas associações.

O professor Fernando Albuquerque, presente pela primeira vez no Challenges, trouxe (com base em três pequenas histórias) um importante tópico de reflexão: de que forma as tecnologias no domíno educativo podem actuar pedagogicamente, para se fazer de forma diferente daquilo que (maioritariamente, diga-se) se tem feito? Como é que essas necessárias mudanças se encaixam no currículo e nas políticas que estão na sua base? Que implicações estas práticas diferentes têm para o currículo, para os professores e (muito especialmente) para aqueles que os formam?

 Em relação à comunicação do Roberto Gorjão, destaco alguns pontos essenciais que estão na base do desenvolvimento deste conceito (é importante ver o produto final, mas também é importante perceber o porquê desse conceito).
Um desses “porquês” é a teoria do caos, que se pode aplicar a qualquer sistema complexo e dinâmico como sejam o ambiente matemático, económico (na base, aliás, de um prémio nobel), a internet ou mesmo… a vida! Qualquer ambiente dinâmico é um local de liberdades e equilíbrios que se vão reajustando lenta ou abruptamente. Um excesso aqui é compensado com uma ausência ali, e esta deslocação de forças provoca alterações gigantescas em diversos aspectos que nos dizem respeito. Uma pequena alteração do sistema dinâmico provoca alterações inimagináveis… um exemplo paradigmático (e porventura exagerado) desta teoria é o efeito borboleta - um simples bater as asas deste lado do mundo, pode provocar um furação do outro lado.

O efeito borboleta

No entanto, na internet, são criadas e desenvolvidas (colaborativamente) ferramentas que podem minimizar os efeitos negativos desses “caos”.

É com base nesse pressuposto que se pretende também desenvolver este tipo de trabalho: seleccionar, utilizar e reflectir sobre as diferentes ferramentas open-source, que existem e podem ser de extrema importância na educação, fazendo com que a rede hipertexto vá “… perdendo, felizmente, a sua imagem de caos impenetrável e avassalador…” (Gorjão, 2007).

Este tipo de projecto só resulta se houver uma participação colabor(activa) entre todos aqueles que se interessam por esta área.

Termino este post  com algumas sugestões para futuras edições:

- contactar préviamente todos aqueles que vão apresentar comunicações de modo a assegurar a sua disponibilidade e presença nas horas marcadas;

- contactar todos os realizadores da “mostra de video” para averiguar a sua presença, de modo a evitar algumas situações “constrangedoras” como as que aconteceram este ano (ainda estou a ver o Sr. Vereador da cultura da Câmara de Paredes, na sua (des)necessária entrada em cena).

Davide

matemática18 Mai 2007 12:52 am

As estatísticas do Ministério da Educação para o Plano de Acção para a Matemática referem:

  • Foram envolvidos 293 847 alunos e 10 666 professores num total de 1070 escolas;

  •  Foram investidos 2,5 milhões de euros

Se o sucesso na Matemática se medisse com estes números… o problema é que o sucesso estatístico (em grande parte) depende de outros números - os resultados das avaliações e das provas de aferição! Sem grandes apologismos à avaliação quantitativa, era bom que os primeiros números influenciassem positivamente os segundos, mas… será?

 

 Davide

Internet17 Mai 2007 12:16 am

Para lá das considerações teóricas a respeito do processo comunicacional parece-me importante reforçar o facto de a comunicação ser um aspecto muito importante e transversal a todas as dimensões da vida, mas é na dimensão educativa que ela se mostra claramente indispensável. É certo que o entendimento (ainda que intuitivo) do processo comunicacional é muito importante no transpor de algumas barreiras diárias, mas para os agentes educativos essa importância é inequívoca: um engenheiro pode trabalhar na solidão do seu escritório, um arquitecto no seu personalizado atelier, mas um agente educativo, como um professor (para lá das considerações técnicas dos conteúdos), tem de ter sempre presente o processo comunicativo.

Seguindo essa linha de pensamento e tendo em conta as constantes mudanças do ponto de vista tecnológico, com o aparecimento da Internet e de novos espaços de comunicação (chat’s, fóruns de discussão, listas de discussão, blogues, plataformas, …) é importante que o professor não assuma uma atitude de alheamento, com consequências graves ao nível da adequação dos conteúdos aos contextos ou realidades sociais dos alunos, levando gradualmente a uma ineficácia da comunicação.

O professor deve funcionar como um mediador entre a estrutura e os alunos. Deve definir o conteúdo, a interface, as actividades e os canais de comunicação de acordo com os destinatários, de modo que os espaços on-line sejam espaços de partilha e de interacção entre todos.Tendo em conta o aparecimento destas novas tecnologias há investigadores que defendem a existência de uma nova sociedade, onde as configurações sociais e os espaços de interacção e comunicação são reconfigurados com base numa rede global – sociedade em rede (Castells, 2002). Contudo, e para lá das vantagens que possam existir nestes novos “espaços de comunicação”, cada vez mais, nesta “poluição” de sites, fóruns, chat’s ou blogues, as pessoas estão menos interessadas em ouvir os outros e mais interessadas em fazer-se ouvir.

É uma importante “missão” do agente educativo do séc. XXI, conseguir servir-se desta tecnologia para ajudar os alunos a descobrir a opinião dos outros processando as montanhas de informação existentes na rede de forma a produzir conhecimento e ampliar a rede semântica. Será esse, porventura, o grande projecto do professor do séc. XXI: promover a utilização da internet de uma forma activa, consciente e permanentemente crítica.

 P.S. Este post não pretende esgotar o assunto, pelo que (assim que tiver tempo) voltarei a ele.

Davide

Ed. distancia13 Mai 2007 10:04 pm

Otto Peters propôs uma teoria onde compara o ensino à distância a uma organização industrial, já que se pode encontrar também uma racionalização e uma industrialização dos processos de produção.

Algumas características do ensino à distância corroboram a teoria proposta por Otto Peters:
• Divisão do trabalho – todas as tarefas (difusão de informação, avaliação, orientação, …) são desempenhadas por especialistas que dividem as diferentes tarefas;
• Mecanização – também no ensino à distância há a obrigatoriedade de utilização de máquinas no auxílio ao trabalho;
• Linha de montagem – os “operários” estão parados enquanto o objecto passa por eles e vai sendo aperfeiçoado;
• Produção em massa – produção em qualidade e em quantidade, já que as empresas que promovem cursos de ensino à distância têm um grande cuidado na análise das necessidades do público;
• Preparação do trabalho – é muito importante a fase de preparação do curso de ensino à distância, já que envolve diversos especialistas.
• Planificação – É importante no ensino a distância que sejam determinadas as prioridades a serem levadas a cabo pelo que cada unidade deve estar organizada e planeada da melhor forma possível;
• Organização – é importante que a relação entre os alunos e o professor seja organizada e coordenada tanto espacialmente, como temporalmente;
• Método de controlo científico – Em algumas instituições de ensino à distância são contratados peritos para assegurar análises e avaliação técnica dos cursos;
• Centralização – para reduzir nas despesas há uma tendência de centralização das estruturas de ensino à distância, ou seja, um pequeno número de instituições servem a população nacional ao invés de um grande número servir os interesses regionais.

Este conjunto de pressupostos pode indiciar que o ensino em geral, com a proliferação de cursos de ensino à distância, deverá seguir o mesmo caminho da indústria em geral, principalmente quando se fala dos trabalhadores.  É fácil perceber a quantidade de empregos que foram substituídos por máquinas (na idústria), mas seria possível as coisas terem sido diferentes? E a educação? Terá um rumo diferente?

 Davide