Challenges 2007: o “prognóstico” final
Esta V Conferência Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação decorreu nos dias 17 e 18 de Maio e considero-a (globalmente) positiva.
Houve um agrupar das comunicações e dos paineis em três temas aglutinadores: O digital e o currículo, ambientes emergentes e avaliação on-line. Este agrupar é positivo, mas ainda assim fica impossível evitar a sobreposição de temas potencialmente concorrentes ficando à responsabilidade de cada um, o “tiro” (quase) no escuro, da escolha da melhor comunicação. Obviamente que muitas vezes esse tiro sai pela culatra. Este problema seria minorizado se as comunicações (e os respectivos moderadores) cumprissem os tempos previstos. Para quem (como eu) pretendia assistir a 3 ou 4 comunicações em auditórios diferentes, tinha que esperar quase a intervenção sobrenatural para que os tempos e a ordem das comunicações não fosse alterada.
Em relação ao conteúdo, para mim, existem três momentos que me merecem especial destaque:
1- A conferência plenária de Marco Silva;
2- O painel “O digital e o Currículo”, especificamente a intervenção do professor Fernanado Albuquerque Costa, da Universidade de Lisboa;
3- A comunicação do Roberto Gorjão “Tech-x-pert: uma plataforma dedicada à tecnologia educativa”
O Marco Silva trouxe a interactividade e os seus os fundamentos (explícitos na arte do parangolé) como um desafio comunicacional da cibercultura, nomeadamente:
- Participação, sabendo que “participar é intervir na mensagem”;
- Bidireccionalidade, já que os pólos emissor-receptor devem estar igualmente implicados na codificação/descodificação da informação;
- Mutação, já que não é proposta uma mensagem fechada, mas oferece ao receptor um conjunto de conexões que lhe permitem múltiplas associações.
O professor Fernando Albuquerque, presente pela primeira vez no Challenges, trouxe (com base em três pequenas histórias) um importante tópico de reflexão: de que forma as tecnologias no domíno educativo podem actuar pedagogicamente, para se fazer de forma diferente daquilo que (maioritariamente, diga-se) se tem feito? Como é que essas necessárias mudanças se encaixam no currículo e nas políticas que estão na sua base? Que implicações estas práticas diferentes têm para o currículo, para os professores e (muito especialmente) para aqueles que os formam?
Em relação à comunicação do Roberto Gorjão, destaco alguns pontos essenciais que estão na base do desenvolvimento deste conceito (é importante ver o produto final, mas também é importante perceber o porquê desse conceito).
Um desses “porquês” é a teoria do caos, que se pode aplicar a qualquer sistema complexo e dinâmico como sejam o ambiente matemático, económico (na base, aliás, de um prémio nobel), a internet ou mesmo… a vida! Qualquer ambiente dinâmico é um local de liberdades e equilíbrios que se vão reajustando lenta ou abruptamente. Um excesso aqui é compensado com uma ausência ali, e esta deslocação de forças provoca alterações gigantescas em diversos aspectos que nos dizem respeito. Uma pequena alteração do sistema dinâmico provoca alterações inimagináveis… um exemplo paradigmático (e porventura exagerado) desta teoria é o efeito borboleta - um simples bater as asas deste lado do mundo, pode provocar um furação do outro lado.
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No entanto, na internet, são criadas e desenvolvidas (colaborativamente) ferramentas que podem minimizar os efeitos negativos desses “caos”.
É com base nesse pressuposto que se pretende também desenvolver este tipo de trabalho: seleccionar, utilizar e reflectir sobre as diferentes ferramentas open-source, que existem e podem ser de extrema importância na educação, fazendo com que a rede hipertexto vá “… perdendo, felizmente, a sua imagem de caos impenetrável e avassalador…” (Gorjão, 2007).
Este tipo de projecto só resulta se houver uma participação colabor(activa) entre todos aqueles que se interessam por esta área.
Termino este post com algumas sugestões para futuras edições:
- contactar préviamente todos aqueles que vão apresentar comunicações de modo a assegurar a sua disponibilidade e presença nas horas marcadas;
- contactar todos os realizadores da “mostra de video” para averiguar a sua presença, de modo a evitar algumas situações “constrangedoras” como as que aconteceram este ano (ainda estou a ver o Sr. Vereador da cultura da Câmara de Paredes, na sua (des)necessária entrada em cena).
Davide
