Internet17 Mai 2007 12:16 am

Para lá das considerações teóricas a respeito do processo comunicacional parece-me importante reforçar o facto de a comunicação ser um aspecto muito importante e transversal a todas as dimensões da vida, mas é na dimensão educativa que ela se mostra claramente indispensável. É certo que o entendimento (ainda que intuitivo) do processo comunicacional é muito importante no transpor de algumas barreiras diárias, mas para os agentes educativos essa importância é inequívoca: um engenheiro pode trabalhar na solidão do seu escritório, um arquitecto no seu personalizado atelier, mas um agente educativo, como um professor (para lá das considerações técnicas dos conteúdos), tem de ter sempre presente o processo comunicativo.

Seguindo essa linha de pensamento e tendo em conta as constantes mudanças do ponto de vista tecnológico, com o aparecimento da Internet e de novos espaços de comunicação (chat’s, fóruns de discussão, listas de discussão, blogues, plataformas, …) é importante que o professor não assuma uma atitude de alheamento, com consequências graves ao nível da adequação dos conteúdos aos contextos ou realidades sociais dos alunos, levando gradualmente a uma ineficácia da comunicação.

O professor deve funcionar como um mediador entre a estrutura e os alunos. Deve definir o conteúdo, a interface, as actividades e os canais de comunicação de acordo com os destinatários, de modo que os espaços on-line sejam espaços de partilha e de interacção entre todos.Tendo em conta o aparecimento destas novas tecnologias há investigadores que defendem a existência de uma nova sociedade, onde as configurações sociais e os espaços de interacção e comunicação são reconfigurados com base numa rede global – sociedade em rede (Castells, 2002). Contudo, e para lá das vantagens que possam existir nestes novos “espaços de comunicação”, cada vez mais, nesta “poluição” de sites, fóruns, chat’s ou blogues, as pessoas estão menos interessadas em ouvir os outros e mais interessadas em fazer-se ouvir.

É uma importante “missão” do agente educativo do séc. XXI, conseguir servir-se desta tecnologia para ajudar os alunos a descobrir a opinião dos outros processando as montanhas de informação existentes na rede de forma a produzir conhecimento e ampliar a rede semântica. Será esse, porventura, o grande projecto do professor do séc. XXI: promover a utilização da internet de uma forma activa, consciente e permanentemente crítica.

 P.S. Este post não pretende esgotar o assunto, pelo que (assim que tiver tempo) voltarei a ele.

Davide

One Response to “Blogues: comunicação ou introspecção?”

  1. on 15 Jun 2007 at 5:53 pm Sérgio

    Tema interessante este que trazes a debate sobre a utilização educativa dos recursos on-line e a forma como estes poderão ou não criar uma nova “Sociedade Global”. Como referes, parece-me aqui indiscutível a postura que o professor/orientador deverá adoptar no sentido de alertar, permitir e orientar os alunos em todo este processo.É já quase impensável o desenvolvimento gradual de um aluno sem este ter conhecimentos não só a nível informático como também na sua postura “defensiva”, atenta e consciente dos reais benefícios e malefícios dessa utilização. Cabe à Comunidade educativa esta missão…
    Parabéns pelo artigo!
    Abraço

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