Ed. distancia


Ed. distancia26 Jun 2007 01:08 pm

E-learning e e-conteúdosHoje em dia assistimos a um grande crescimento de cursos de e-Learning, ou de estratégias de ensino vocacionadas para o ensino à distância. Contudo, grande parte dessas práticas são apenas uma transposição, para o formato digital compatível com as plataformas de e-learning existentes, dos conteúdos preparados para regime presencial. Essa será a alternativa mais fácil, mas nem sempre a mais adequada para tirar partido deste novo “regime” de ensino, por duas razões:

  •  Eles são preparados para serem complementados pelos comentários dos alunos e dos professores, muitas vezes por via oral ou até gestual. Um recurso pouco explícito pode, de uma forma imediata, no ensino presencial, ser complementado pelo professor enquanto no ensino à distância isso seria impossível!
  • As expectativas dos alunos que frequentam cursos de e-learning são bastante elevadas, já que a grande evolução tecnológica imprimiu um elevado poder de motivação, devido às grandes capacidades destas novas ferramentas tecnológicas. É importante então que estas expectativas sejam tidas em conta para que depois não haja elevados graus de frustração, que dificultem a aprendizagem, sabendo que esta se desenvolve maioritariamente de uma forma individual e solitária.

Por tudo isto é necessário elevar o patamar de qualidade dos conteúdos para e-learning, de modo a estes sejam completos, explícitos e atractivos para os seus “utilizadores”.

Davide

Ed. distancia20 Jun 2007 08:25 pm

Àcerca de um post do bloque Tecnologia & Educação e na sequência de outro por mim publicado  há algum tempo (17 de Maio), onde reflectia sobre a importância da presença dos professores/educadores nos novos espaços de comunicação, surgiu ontem na escola um debate relacionado com este assunto!
A situação foi a seguinte: uma professora dizia que numa das suas turmas, se notava uma sintonia estranha entre alguns alunos (falava de alunos do 8ºano), que começaram a vestir-se de preto e a comportar-se de forma estranha. Entre umas conversas e outras percebeu que essa “mudança” estaria de alguma forma relacionada com o Hi5 e então resolveu investigar.
Ao descobrir o perfil de alguns desses alunos constatou que eles tinham assinalados como amigos mais de 300 pessoas e grande parte delas apologistas convictas do “estilo” (de vida) gótico, com comentários e fotografias que causaram algum choque e admiração entre os presentes, já que o grupo em questão era até razoável ao nível do aproveitamento escolar.
Posto o problema, foram avançadas algumas soluções: por um lado, aqueles que defendem a instalação de aplicações que restringem o acesso a vários sites e por outro (no qual eu me incluía) os apologistas da presença dos professores e dos pais nesses espaços, onde os alunos se sentem (sem razão) perfeitamente anónimos. Esta “conversa” foi ainda mais proveitosa porque uma série de professores resolveram que se iam inscrever nesses espaços (e alguns inscreveram-se, de facto), pedindo futuramente aos seus alunos para serem adicionados à lista de amigos.

Ora, este é um exemplo de como a tecnologia se pode relacionar com a educação e de que forma pode ser aproveitada para o desenvolvimento de estratégias educativas que promovam a reflexão, a selecção de informação e a interactividade entre os agentes educativos e onde os pais possam participar/acompanhar o processo educativo, sem necessidade de deslocações à escola. Duas coisas são certas: é impossível “fugir” a estes espaços de comunicação e eles são (pelo menos por enquanto) MUITO mais motivadores para os nossos alunos do que as plataformas de e-learning existentes nas escolas! Será possível estas plataformas interagirem com o Hi5? Será possível levar a “comunidade Hi5 ” para a escola? De que modo ela pode ser positiva? De que modo pode ser prejudicial?
É certo que não tenho resposta para as perguntas, mas a dúvida já é um começo…
Davide

Ed. distancia15 Jun 2007 05:42 pm

O programa MIT OpenSourceWare tornou disponíveis até hoje cerca de 1500 cursos livres on-line. São também descritos 10 casos de OpenSource na Educação por várias entidades (Universidades, Institutos, Organizações, …) e em diferentes âmbitos.
Aceda ao documento aqui.

 Por aqui (Portugal) também têm sido tomadas algumas decisões que vão de encontro a esta ideia, nomeadamente por parte da CRIE, que disponibilizou um conjunto de ferramentas open source para download no seu site, que podem ser implementadas e utilizadas nas escolas.

Davide

Ed. distancia20 Mai 2007 09:57 pm

Esta V Conferência Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação decorreu nos dias 17 e 18 de Maio e considero-a (globalmente) positiva.

Challenges2007

 Houve um agrupar das comunicações e dos paineis em três temas aglutinadores: O digital e o currículo, ambientes emergentes e avaliação on-line. Este agrupar é positivo, mas ainda assim fica impossível evitar a sobreposição de temas potencialmente concorrentes ficando à responsabilidade de cada um, o “tiro” (quase) no escuro, da escolha da melhor comunicação. Obviamente que muitas vezes esse tiro sai pela culatra. Este problema seria minorizado se as comunicações (e os respectivos moderadores) cumprissem os tempos previstos. Para quem (como eu) pretendia assistir a 3 ou 4 comunicações em auditórios diferentes, tinha que esperar quase a intervenção sobrenatural para que os tempos e a ordem das comunicações não fosse alterada.

Em relação ao conteúdo, para mim, existem três momentos que me merecem especial destaque:

1- A conferência plenária de Marco Silva;
2- O painel “O digital e o Currículo”, especificamente a intervenção do professor Fernanado Albuquerque Costa, da Universidade de Lisboa;
3- A comunicação do Roberto Gorjão “Tech-x-pert: uma plataforma dedicada à tecnologia educativa”

 O Marco Silva trouxe a interactividade e os seus os fundamentos (explícitos na arte do parangolé) como um desafio comunicacional da cibercultura, nomeadamente:

  •  Participação, sabendo que “participar é intervir na mensagem”;
  •  Bidireccionalidade, já que os pólos emissor-receptor devem estar igualmente implicados na codificação/descodificação da informação;
  • Mutação, já que não é proposta uma mensagem fechada, mas oferece ao receptor um conjunto de conexões que lhe permitem múltiplas associações.

O professor Fernando Albuquerque, presente pela primeira vez no Challenges, trouxe (com base em três pequenas histórias) um importante tópico de reflexão: de que forma as tecnologias no domíno educativo podem actuar pedagogicamente, para se fazer de forma diferente daquilo que (maioritariamente, diga-se) se tem feito? Como é que essas necessárias mudanças se encaixam no currículo e nas políticas que estão na sua base? Que implicações estas práticas diferentes têm para o currículo, para os professores e (muito especialmente) para aqueles que os formam?

 Em relação à comunicação do Roberto Gorjão, destaco alguns pontos essenciais que estão na base do desenvolvimento deste conceito (é importante ver o produto final, mas também é importante perceber o porquê desse conceito).
Um desses “porquês” é a teoria do caos, que se pode aplicar a qualquer sistema complexo e dinâmico como sejam o ambiente matemático, económico (na base, aliás, de um prémio nobel), a internet ou mesmo… a vida! Qualquer ambiente dinâmico é um local de liberdades e equilíbrios que se vão reajustando lenta ou abruptamente. Um excesso aqui é compensado com uma ausência ali, e esta deslocação de forças provoca alterações gigantescas em diversos aspectos que nos dizem respeito. Uma pequena alteração do sistema dinâmico provoca alterações inimagináveis… um exemplo paradigmático (e porventura exagerado) desta teoria é o efeito borboleta - um simples bater as asas deste lado do mundo, pode provocar um furação do outro lado.

O efeito borboleta

No entanto, na internet, são criadas e desenvolvidas (colaborativamente) ferramentas que podem minimizar os efeitos negativos desses “caos”.

É com base nesse pressuposto que se pretende também desenvolver este tipo de trabalho: seleccionar, utilizar e reflectir sobre as diferentes ferramentas open-source, que existem e podem ser de extrema importância na educação, fazendo com que a rede hipertexto vá “… perdendo, felizmente, a sua imagem de caos impenetrável e avassalador…” (Gorjão, 2007).

Este tipo de projecto só resulta se houver uma participação colabor(activa) entre todos aqueles que se interessam por esta área.

Termino este post  com algumas sugestões para futuras edições:

- contactar préviamente todos aqueles que vão apresentar comunicações de modo a assegurar a sua disponibilidade e presença nas horas marcadas;

- contactar todos os realizadores da “mostra de video” para averiguar a sua presença, de modo a evitar algumas situações “constrangedoras” como as que aconteceram este ano (ainda estou a ver o Sr. Vereador da cultura da Câmara de Paredes, na sua (des)necessária entrada em cena).

Davide

Ed. distancia13 Mai 2007 10:04 pm

Otto Peters propôs uma teoria onde compara o ensino à distância a uma organização industrial, já que se pode encontrar também uma racionalização e uma industrialização dos processos de produção.

Algumas características do ensino à distância corroboram a teoria proposta por Otto Peters:
• Divisão do trabalho – todas as tarefas (difusão de informação, avaliação, orientação, …) são desempenhadas por especialistas que dividem as diferentes tarefas;
• Mecanização – também no ensino à distância há a obrigatoriedade de utilização de máquinas no auxílio ao trabalho;
• Linha de montagem – os “operários” estão parados enquanto o objecto passa por eles e vai sendo aperfeiçoado;
• Produção em massa – produção em qualidade e em quantidade, já que as empresas que promovem cursos de ensino à distância têm um grande cuidado na análise das necessidades do público;
• Preparação do trabalho – é muito importante a fase de preparação do curso de ensino à distância, já que envolve diversos especialistas.
• Planificação – É importante no ensino a distância que sejam determinadas as prioridades a serem levadas a cabo pelo que cada unidade deve estar organizada e planeada da melhor forma possível;
• Organização – é importante que a relação entre os alunos e o professor seja organizada e coordenada tanto espacialmente, como temporalmente;
• Método de controlo científico – Em algumas instituições de ensino à distância são contratados peritos para assegurar análises e avaliação técnica dos cursos;
• Centralização – para reduzir nas despesas há uma tendência de centralização das estruturas de ensino à distância, ou seja, um pequeno número de instituições servem a população nacional ao invés de um grande número servir os interesses regionais.

Este conjunto de pressupostos pode indiciar que o ensino em geral, com a proliferação de cursos de ensino à distância, deverá seguir o mesmo caminho da indústria em geral, principalmente quando se fala dos trabalhadores.  É fácil perceber a quantidade de empregos que foram substituídos por máquinas (na idústria), mas seria possível as coisas terem sido diferentes? E a educação? Terá um rumo diferente?

 Davide

Ed. distancia15 Abr 2007 11:52 pm

Serve este post para informar que, segundo a equipa CRIE, no dia 28 de Abril de 2007, das 09:30h às 17:00h, na Esc. Sec. Monte de Caparica em Almada, realizar-se-á um encontro sobre e-portefólios.

É possível ver o Programa em: http://proformar.net.educom.pt/file.php/1/moddata/forum/188/1132/programa_abril.pdf
Inscrições em: http://portal.educom.pt/apte/viiioficinas

Ed. distancia11 Abr 2007 02:32 pm

O portefólio digital é uma adaptação do portefólio tradicional. Com a designação de eportefólio ou webfólio (o primeiro em suporte digital de uma forma geral e o segundo baseado na Web em particular) começou inicialmente a ser utilizado por artistas, nomeadamente webdesigners, que utilizavam o suporte digital e a Web como uma “montra global” para exporem o seus trabalhos.

Hoje em dia, começa também a ser muito utilizado na educação e serve para os alunos se motivarem, demonstrando as suas competências em diversos formatos (texto, imagem, som, animação, vídeo) e reflectindo acerca da sua aprendizagem. Não é uma mera compilação de trabalhos, mas um processo contínuo de recolha e selecção de informação das diversas áreas de interesse do seu autor. É uma oportunidade única para o estudante gerir as suas próprias aprendizagens e promover a autonomia, no sentido em que produz informação, reflecte sobre ela e corrige-a, se necessário.

Também para os educadores pode funcionar como uma excelente ferramenta de avaliação.

Descobri recentemente um software comunitário utilizado para produzir um eportefólio online, baseado na web 2.0, que está no site seguinte: http://elgg.net/

“O eportefólio da elgg permite criar uma comunidade com interesses pedagógicos comuns onde é possível partilhar o mesmo conhecimento ou as mesmas fontes. O estudante tem o seu espaço online onde pode escrever e publicar links, imagens, áudio, vídeo, etc. Permite a outros indivíduos editar, comentar ou contribuir para o mesmo fim. É possível publicar e distribuir os conteúdos, geralmente categorizados (tag), através de newsletter, email, RSS feeds, alerts, etc. Possui ferramentas de pesquisa e filtragem que permitem encontrar a informação de uma forma fácil e rápida. O administrador/editor possui direitos de gestão que lhe permitem personalizar o acesso -ou não - aos seus conteúdos.”

Esta é a descrição do software que, confesso, ainda não tive tempo de explorar. No entanto, para melhor compreender o funcionamento de um eportefólio da ellg, pode visitar o seguinte exemplo.